Akatu e Ethos divulgam nova pesquisa a respeito da relação do consumidor com a RSE

Notícias do Akatu / Percepção do Consumidor - 08/04/2008

Estudo realizado em 2006 e 2007 pela Market Analysis mostra que o interesse da população a respeito das práticas socioambientais das empresas é grande, mas a desconfiança também

O tema da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) entrou definitivamente na agenda de interesses da população brasileira. Por outro lado, o caminho não está totalmente pavimentado para que as empresas se beneficiem imediatamente da divulgação de suas ações de responsabilidade social e ambiental. Ainda é necessário enfrentar a desconfiança do consumidor em relação à atuação empresarial neste âmbito. De acordo com a “Pesquisa 2006 e 2007 – Responsabilidade Social Empresarial – Percepção do Consumidor Brasileiro”, lançada em 26 de março pelos Institutos Akatu e Ethos, realizada pela Market Analysis Brasil, que cedeu os dados para a publicação, e cuja publicação foi patrocinada pelo Carrefour, este é o principal desafio para as empresas que incorporam os princípios da RSE em suas práticas.

O evento de apresentação dos dados contou com a presença, como debatedores, de Renata Moura, diretora de RH do Grupo Carrefour; Arnaldo Eijinsk, membro do Comitê de Sustentabilidade do Grupo Carrefour e responsável pelo programa Garantia de Origem Carrefour; Fabián Echegaray diretor geral da Market Analysis; Paulo Itacarambi, diretor executivo do Instituto Ethos; além de Helio Mattar, diretor presidente do Akatu. A abertura ficou por conta do Presidente do Carrefour Brasil, Jean Marc Pueyo, que afirmou ser “muito bom” poder contar com a parceria dos Institutos Akatu e Ethos. Esta foi a terceira edição da pesquisa sobre RSE patrocinada pelo Carrefour. Pueyo destacou a contribuição que uma pesquisa como essa traz para o amadurecimento das práticas de RSE no país e encerrou seu pronunciamento citando o slogan da campanha mais recente do Akatu, “Seu consumo transforma o mundo”.

A pesquisa, cujo objetivo é detectar como o consumidor percebe as práticas de RSE das empresas, é a mais recente de uma série de estudos realizados desde 2000. O relatório divulgado na quarta-feira passada indica que 77% dos brasileiros têm interesse em saber como as empresas tentam ser socialmente responsáveis, revelando estabilidade na comparação com os índices obtidos nas pesquisas anteriores. Além disso, dois em cada três brasileiros têm uma avaliação positiva sobre a contribuição das grandes empresas para o desenvolvimento da sociedade. A porcentagem de entrevistados que se encaixaram nesta categoria em 2007 (66,5%) sofreu um acréscimo de dez pontos percentuais em relação a 2006 (57%).

Pouco mais do que a maioria dos entrevistados (51%) concorda total ou parcialmente que a empresa deve ir além de um papel econômico tradicional (gerar empregos, pagar impostos etc) e contribuir ativamente com a construção de uma sociedade melhor. Este índice, no entanto, sofreu uma queda em relação a 2004, quando 64% dos entrevistados manifestaram a mesma opinião.

De acordo com Fabián Echegaray, a pesquisa aponta algumas ambivalências nas declarações dos entrevistados, que são explicadas pela “Teoria dos Ciclos da Opinião Pública”. Segundo ele, os fenômenos sociais passam por cinco fases em que as convicções oscilam até um momento em que se tornam realmente maduras e sedimentadas na sociedade. A primeira fase, de acordo com Echegaray, é de “deslumbramento”, do primeiro contato com o tema. Nesta fase, a adesão do indivíduo às novas idéias é reflexo das circunstâncias e não há muita racionalização sobre o tema. Na segunda fase, há uma exposição maior do tema na mídia, e como o público se depara mais regularmente com o assunto, começa a delinear suas preferências e orientações a respeito. Mas nesta fase ainda há grandes oscilações e divergências entre os valores adotados e os comportamentos postos em prática, pois o público ainda está “negociando” consigo próprio a transformação de seus novos valores em novos hábitos. Na terceira fase, há um ganho de maturidade no tratamento dedicado ao tema por parte da mídia e dos outros agentes sociais. A quarta etapa é caracterizada por uma ponderação das conseqüências (“conscientização do custo/benefício”), gerando novamente ambigüidades. E, finalmente, na quinta etapa, há uma “cristalização” do conceito e a adoção de comportamentos torna-se mais racional e mais consciente.


A pesquisa

A publicação “Pesquisa 2006 e 2007 – Responsabilidade Social Empresarial – Percepção do Consumidor Brasileiro” é o resultado de uma iniciativa conjunta do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, contando com a parceria da Market Analysis Brasil, instituto de pesquisa de mercado, que cedeu os dados desta pesquisa e foi responsável pela coleta, processamento e análise dos resultados no Brasil. Os dados internacionais apresentados nesta pesquisa se integram ao levantamento global feito em mais de outros 20 países sob a coordenação do instituto GlobeScan.

A pesquisa mundial foi iniciada em 1999, sendo que o Brasil começou a ser estudado sistematicamente a partir de 2000, o que permite que algumas das questões abordadas nesta edição tenham um comparativo internacional.

O Sumário de Conclusões da pesquisa, que apresenta as principais conclusões dos levantamentos realizados em 2006 e 2007, está disponível para download no portal do Akatu. O estudo elaborado no Brasil teve como base uma amostra de 800 consumidores, com entrevistas realizadas face-a-face nos seus domicílios. Foram consultados adultos entre 18 e 69 anos das classes A, B, C, D e E, residentes nas oito principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife e Brasília.

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